Mundo Giro

Posts Tagged ‘identidade

Porquê? Mas … porquê? Mas …porque sim … porquê?
É uma fase que todos nós já passamos e que para quem tem filhos ou crianças próximas constitui algo que se revive com frequência.

Se para alguns adultos esta fase é horrenda, pois chega a haver alturas em que as crianças quase nem respiram para formularem tantas perguntas consecutivas, para outros é uma altura muito divertida, pois são obrigados a rever várias situações que parecem óbvias, mas que nem sempre o são.

Esta fase dos Porquês começa entre os 3 e os 4 anos e é não mais que a construção da identidade da criança. Ela toma consciência da sua existência e de tudo o que se passa em seu redor – daí o frenesim de perguntas consecutivas.

Regra de Ouro: tenha paciência, mesmo quando a criança repete a mesma questão de 2 em 2 minutos.

Um truque para evitar a frustração nesta situação é o adulto também questionar a criança.
Por exemplo, se a criança pergunta mais de 1 vez a mesma coisa, experimente devolver-lhe a pergunta. Verá que ela sabe a resposta e, no fim, sente-se muito melhor porque, não só não travaram a sua curiosidade, como ainda a fizeram sentir-se importante, pois já sabe responder a algo que não sabia.

Se os adultos próximos da criança não tiverem paciência e cortarem sempre as suas questões, a criança poderá perder o interesse em aprender e em descobrir coisas novas, tornando-se insegura.

Não se esqueçam: isto é passageiro e a cadência de perguntar tem tendência a diminuir.

Se analisarem, ainda hoje nós nos questionamos sobre alguns temas que nos surgem – a curiosidade faz parte de nós e quando isso não acontece, é porque algo não está bem.

Vivemos em constante aprendizagem e é sempre positivo querermos saber um pouco mais.

E porquê? Porque é Giro!

Tânia Sereno
Mundo Giro
Kid Spotter @ On Spot Marketing

Anúncios

A chegada do Verão pode também ser o mote ideal para relembrar os jogos tradicionais, visto ser muito mais giro fazê-los ao ar livre (embora também se possam adaptar a um espaço fechado… mas nunca é a mesma coisa).

Os jogos tradicionais são passados oralmente de geração em geração, fazendo parte da nossa cultura e identidade como povo. São extremamente ricos e benéficos, pois ajudam no desenvolvimento das crianças, criam laços afectivos, promovem a competição saudável, são momentos de alegria – arriscaria mesmo dizer de festa – e contam um pouco da nossa história.

Para os adultos, trazem com toda a certeza um regresso à infância. E será com outro gosto que convidarão as crianças a jogar, pois têm a oportunidade de mostrar um pouco do que foi um período importante das suas vidas e que a evolução dos tempos torna muito distante da realidade actual.

Como é habitual, deixo alguns exemplos:

1 – Caricas
Nº de Jogadores (mínimo): 2
Material: Caricas (uma para cada jogador) e giz ou pau (para delinear a pista)
Como se joga: Desenha-se uma pista no chão (se for terra batida, use um pau caído; se for asfalto, utilize o giz) e define-se a ordem de quem joga. Depois, usando os dedos, atira-se a carica para a frente (não podendo sair da pista); se sair da pista, o jogador deverá voltar ao início. Ganha o jogador que primeiro chegar à meta.

2- O Rei Manda
Nº de jogadores (mínimo): 3 (idealmente 6)
Material: Nenhum, só é necessário usar uma parede ou árvore
Como se joga: Um dos jogadores (o rei) coloca-se de costas para os jogadores que estão a 10m do “Rei”, lado a lado uns dos outros.
O “Rei” vai dando ordens de costas para os jogadores, iniciando sempre as ordens com a frase “o Rei manda”. Por exemplo, “o rei manda saltar ao pé coxinho”, etc. Quando termina a frase vira-se para ver se apanha algum jogador a andar para a frente.
Ganha o jogador que conseguir chegar ao posto do “Rei”, sem que seja apanhado por este a movimentar-se.
Nota: Se o “rei” vir algum jogador a deslocar-se, esse jogador terá de voltar ao início.

Há um trabalho muito interessante, feito para o município de São Brás de Alportel, que apresenta um estudo aprofundado de jogos tradicionais (alguns podem ser ligeiramente diferentes dos que se conhece, mas os Jogos Tradicionais variam de região para região e aos mesmos jogos podem corresponder regras diferentes).

Podem também experimentar fazer a vossas próprias adaptações, regras ou derivações.

Divirtam-se muito! Abraçar as nossas tradições vai ser bem Giro!

Tânia Sereno
Mundo Giro
Kid Spotter @ On Spot Marketing


Birras – só de ouvir a palavra, ficamos logo com suores frios!
Com ou sem filhos, dificilmente se encontra um adulto que jamais tenha presenciado uma valentíssima birra.

Para quem tem filhos, o horror é ainda maior e, se for em público, a sensação é inexplicável… berros, objectos a voar, pontapés, etc. (depende da “criatividade” da criança e da vulnerabilidade que os pais demonstram).

Vamos, por isso, tentar desmistificar a birra e sugerir como lidar/ evitar desde muito cedo.

Primeiro, é importante esclarecer o que são as birras: manifestações de vontade própria associadas a uma contrariedade (frustração).
Esta saga começa mais ou menos aos 18 meses, passando pelo seu auge entre os 2/3 anos e pode prolongar-se até aos 5/6 anos.

Por mais estranho que pareça, existe também um lado positivo nas birras pois no fundo são manifestações de emoções, sentimentos e vontade. As crianças estão a desenvolver a sua personalidade – só não sabem como expressar e acreditam que através deste “teatro” vão obter/alcançar o que desejam.

O que fazer?

Manter a calma – se se irritar, repreender, levantar a voz ou ameaçar, etc., estará a ter um comportamento semelhante ao da criança e a mostrar-se vulnerável;

Ignorar – não lhe responda, não ande atrás da criança, faça de conta que não está lá e, se possível, afaste-se um pouco (não mais que 5 min). A sua casa é o local ideal para o fazer, mas se conseguir tente também no local público (nunca pondo em risco a criança – caso a criança faça a birra perto de escadas ou outro local qualquer que represente perigo, aí terá de a pegar ao colo). Isto não resulta de imediato, mas com o passar do tempo e algumas birras depois, a criança vê e apercebe-se que a birra não surte o efeito desejado.

Evitar a força física – a birra por si só já é uma violência enorme para a criança. Se lhe “bater”, só irá aumentar a angústia da criança e a birra ficará muito pior e mais descontrolada. A ideia passa por conseguir que a criança reencontre a estabilidade.

Castigos – Se optar por estas via, que não é desadequada, não ameace com castigos que não poderá cumprir… pode sempre ter já um local para o efeito, por exemplo: colocar a criança de castigo numa cadeira que já esteja destinada para as birras ou mau comportamento – as crianças não gostam de estar sentadas muito tempo e menos ainda por imposição de um castigo; logo, rapidamente se acalmará e dirá que está arrependida.

Se a criança for das mais persistentes e mesmo assim continuar com a birra, então pegue-a ao colo – não deve deixar que esta angústia seja por tempo indeterminado – e tente acalmá-la, dar-lhe carinho, mas nunca ceder ao pedido inicial.

O que não fazer?

Ceder à birra – “Não” é mesmo “Não”, independentemente de estar em público ou em privado.
Pai e Mãe têm de estar alinhados (caso estejam juntos durante a birra) – a criança não pode sentir fraqueza de nenhuma das partes nem discordância, pois vai usar isso a seu favor.

Vamos acabar com as birras persistentes, vai ver que até vai ser Giro!

Tânia Sereno
Mundo Giro
Kid Spotter @ On Spot Marketing

Artigo cedido e inicialmente publicado no Portal dos Pais.

1. Fazer perguntas

Uma competência importante que desejamos que os nossos filhos desenvolvam é saber aprender e, acima de tudo, saber auto-aprender, ou seja, aprender de forma independente, sem estar necessariamente num contexto educacional, como a escola, por exemplo.
O primeiro passo na auto-aprendizagem é saber fazer perguntas. Felizmente, as crianças fazem isto de forma natural, pois são muito curiosas e gostam de questionar.
Encoraje-as a perguntar! Quando encontram algo novo, procure fazer perguntas em conjunto, explorando as possíveis respostas com a criança. E quando a criança lhe faz perguntas, recompense-a. Dê-lhe atenção, responda-lhe com detalhes relevantes e apoie a sua reflexão.

2. Resolver problemas

Se uma criança sabe resolver problemas, pode ter qualquer emprego. Uma nova tarefa ou um novo emprego pode ser intimidativo, mas é, de facto, apenas um outro problema por resolver. Uma nova competência, um novo ambiente, uma nova necessidade… Ensine os seus filhos a resolver problemas, dando-lhe pequenos casos para resolver. Deixe-os pensar sobre a solução – não os socorra imediatamente. Deixe-os considerar várias soluções possíveis e recompense esse esforço. Só assim irão desenvolver a confiança nas suas habilidades e resolver com sucesso tudo que lhes apareça pela frente.

3. Realizar projetos

Trabalhe projetos com os seus filhos, demonstrando-lhes primeiro como pode ser feito e depois deixando-os trabalhar cada vez mais de forma autónoma. À medida que ganham confiança, deixe-os realizar outros sozinhos, de forma independente e verá que, em breve, a sua aprendizagem será uma série de projetos para quais se sentem apaixonados.

4. Encontrar a paixão

Ajude o seu filho(a) a descobrir coisas pelas quais se sente apaixonado(a) – mesmo que para isso experimente uma série delas até encontrar a que goste. Quando as encontrar, ajude-o(a) a desfrutar os momentos de realização. Encoraje todos os seus interesses, tornando-os divertidos e recompensadores.

5. Ser independente

As crianças devem aprender a ser independentes. Progressivamente, através de pequenas coisas que vão fazendo sozinhos. Ensine-os a fazer, dê o exemplo, ajude-os a fazer, ajude-os menos e deixe-os cometer os seus próprios erros. Deve incentivar a confiança neles próprios, deixando-os ter sucessos e resolver as suas falhas. Uma vez que aprendem a ser independentes, aprendem que não precisam de um professor, um pai ou um chefe para lhes dizer o que precisam de fazer. Conseguem gerir-se sozinhos, ser livres e descobrir o caminho.

6. Ser feliz consigo próprio

Muitos pais levam os filhos ao colo por muito tempo, mantendo a “trela” apertada, fazendo-os contar com a sua presença para se sentirem felizes. Assim, quando a criança cresce não sabe ser feliz – tem que encontrar alguém, seja um(a) namorado(a) ou amigo. Se isso falha, transfere a sua ideia de felicidade para coisas externas — compras, comida, jogos, Internet, etc. Mas, se a criança aprender desde cedo que pode ser feliz estando apenas com ela própria, brincando, lendo, imaginando, tem a melhor competência que existe. Permita-lhe ter privacidade e ter tempo (por ex. à noite) quando os pais e filhos têm atividades independentes.

7. Interdependência

O mundo é cada vez mais interdependente, pelo que precisamos de saber viver e trabalhar bem com outras pessoas, assim como ter consciência da interdependência dos vários sistemas existentes na Terra. Demonstre com pequenos exemplos a interdependência na seio da família, na natureza, na sociedade, no planeta. Por ex. estimule a criança a procurar ligações entre elementos que, aparentemente, não têm nada haver um com o outro.

8. Compaixão

É importante  interessarmo-nos pelos outros e sentirmo-nos felizes ao fazê-los felizes. Dar exemplos de compaixão é a chave. Demonstre sempre compaixão aos seus filhos e a outras pessoas. Demonstre empatia, fazendo perguntas sobre como se sentem, pensando alto sobre como acha que outros se sentem. Mostre como é possível fazer alguém feliz sempre que possível; como fazer os outros felizes com pequenos gestos de bondade e, como isso, pode deixá-lo igualmente feliz.

9. Ser tolerante

Exponha os seus filhos a todos os tipos de pessoas, de diferentes raças, religiões ou sexualidade, até de diferentes condições mentais ou físicas. Demonstre-lhes que é natural existirem vários tipos de pessoas, que é OK ser diferente e que as diferenças são para ser celebradas, pois a variedade faz a vida mais bonita e mais enriquecedora.

10. Lidar com mudança

A mudança é a realidade de hoje  e esta competência é cada vez mais necessária – saber adaptar à mudança, lidar com ela, navegar pelos seus mares é uma vantagem competitiva. Esta é uma atitude que mesmo nós, pais, estamos ainda a aprender, pois nunca nos foi formalmente ensinada.

A rigidez não ajuda num ambiente em mudança, mas a flexibilidade sim. Mais uma vez, dar exemplos às crianças demonstrando que a mudança é boa e que nos podemos adaptar, abraçando as novas oportunidades. A vida é uma aventura e as coisas vão correr diferente do que estávamos a espera, diferente dos planos que fizemos. É mesmo essa a parte mais interessante e enriquecedora e é importante saber aproveitá-la e vivê-la da melhor forma.

De facto, não podemos  dar às nossas crianças um kit de aprendizagem ou prepará-los para uma carreira ou um emprego que não sabemos se vai existir. Mas podemos ensiná-los a se adaptarem às circunstâncias, a aprender com tudo e sobre tudo, a resolver os problemas que lhes apareçam, a saber viver com paixão… e daqui a 20 anos agradecer-nos-ão por isso.

Ser criativo
Ser amigo
Ser egoísta
Ser sensível
Ser gigante
Ser anão
Ser Pai
Ser Mãe
Ser desorganizado
Ser organizado
Saber voar
Saber aterrar
Ser rotineiro
Ser desordeiro
Ter identidade única
Obedecer a regras
Construir regras
Ditar regras
Realidade
Criar personalidade
Ter o seu próprio negócio
Trabalhar para alguém
Imprescindível
Infalível
Boa disposição
Alegria
Boa companhia
Descoberta
Aventura
Tentativa e erro
Dar a volta ao Mundo
Fazer os animais falar
Dar vida a objectos inanimados
Amor

Brincar é fundamental para as crianças e importante para os adultos, que também o fazem, mas de uma forma mais controlada e regrada.

Uma criança que experiencie o faz-de-conta, jogos de tabuleiro, jogos tradicionais, brinquedos de várias formas e feitios, pintar, cantar, etc., e que o faça com regularidade, será uma criança muito mais completa, feliz e mais preparada para o futuro.

Resumindo: Brincar é Giro!

Tânia Sereno
Mundo Giro
Kid Spotter

 


Imagine um Mundo Giro onde acontece uma feira de brinquedos entre miúdos, onde eles aprendem noções de valor?

É um projeto social, sem fins lucrativos, lúdico e sobretudo educativo.