Mundo Giro

A chegada do Verão pode também ser o mote ideal para relembrar os jogos tradicionais, visto ser muito mais giro fazê-los ao ar livre (embora também se possam adaptar a um espaço fechado… mas nunca é a mesma coisa).

Os jogos tradicionais são passados oralmente de geração em geração, fazendo parte da nossa cultura e identidade como povo. São extremamente ricos e benéficos, pois ajudam no desenvolvimento das crianças, criam laços afectivos, promovem a competição saudável, são momentos de alegria – arriscaria mesmo dizer de festa – e contam um pouco da nossa história.

Para os adultos, trazem com toda a certeza um regresso à infância. E será com outro gosto que convidarão as crianças a jogar, pois têm a oportunidade de mostrar um pouco do que foi um período importante das suas vidas e que a evolução dos tempos torna muito distante da realidade actual.

Como é habitual, deixo alguns exemplos:

1 – Caricas
Nº de Jogadores (mínimo): 2
Material: Caricas (uma para cada jogador) e giz ou pau (para delinear a pista)
Como se joga: Desenha-se uma pista no chão (se for terra batida, use um pau caído; se for asfalto, utilize o giz) e define-se a ordem de quem joga. Depois, usando os dedos, atira-se a carica para a frente (não podendo sair da pista); se sair da pista, o jogador deverá voltar ao início. Ganha o jogador que primeiro chegar à meta.

2- O Rei Manda
Nº de jogadores (mínimo): 3 (idealmente 6)
Material: Nenhum, só é necessário usar uma parede ou árvore
Como se joga: Um dos jogadores (o rei) coloca-se de costas para os jogadores que estão a 10m do “Rei”, lado a lado uns dos outros.
O “Rei” vai dando ordens de costas para os jogadores, iniciando sempre as ordens com a frase “o Rei manda”. Por exemplo, “o rei manda saltar ao pé coxinho”, etc. Quando termina a frase vira-se para ver se apanha algum jogador a andar para a frente.
Ganha o jogador que conseguir chegar ao posto do “Rei”, sem que seja apanhado por este a movimentar-se.
Nota: Se o “rei” vir algum jogador a deslocar-se, esse jogador terá de voltar ao início.

Há um trabalho muito interessante, feito para o município de São Brás de Alportel, que apresenta um estudo aprofundado de jogos tradicionais (alguns podem ser ligeiramente diferentes dos que se conhece, mas os Jogos Tradicionais variam de região para região e aos mesmos jogos podem corresponder regras diferentes).

Podem também experimentar fazer a vossas próprias adaptações, regras ou derivações.

Divirtam-se muito! Abraçar as nossas tradições vai ser bem Giro!

Tânia Sereno
Mundo Giro
Kid Spotter @ On Spot Marketing


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Os jogos fazem parte do quotidiano de qualquer criança.
Quando isso não acontece, algo está errado, pois são muito importantes para a aprendizagem das crianças.

Através do jogo, a criança brinca, testa hipóteses, apreende algumas regras sociais, enriquece o desenvolvimento intelectual, aprende que ganhar ou perder faz parte da vida e desenvolve estratégias para enfrentar várias situações.

De acordo com Piaget,  “… os jogos não são apenas uma forma de desabafo ou entretenimento para gastar energias das crianças, mas meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento intelectual”. Além disso, “o jogo é um tipo de actividade particularmente poderosa para o exercício da vida social e da actividade construtiva da criança”.

Há vários tipos de jogos, como por exemplo os jogos tradicionais, jogos de tabuleiro, jogo simbólico, jogo de construção etc.
Ao contrário do que se possa pensar, nem todos os jogos necessitam de regras e/ou adversários, que obrigatoriamente tenham de culminar com um vencedor.
Hoje falaremos de um desses tipos de jogos que não necessitam de regras, mas que são muito importante para a criança – o jogo simbólico mais conhecido por Faz de Conta.

O jogo simbólico é o “teatro” do imaginário, a representação de como a criança vê e interpreta o que a rodeia. As suas características são: a liberdade de regras, o desenvolvimento da imaginação e fantasia, ausência de um objectivo específico e lógica própria.

Devemos incentivar este jogo, pois é muito importante para a construção do “eu” da personalidade da criança. Não devemos interromper por estar a fazer de conta que é uma menina ou coisas de menina se estiver a ser interpretado por um menino (ou vice-versa), porque é importante que deixem fluir a sua imaginação e que passem por todos os papéis. Pode inclusive ajudar no teatro, deixando a criança comandar.

É muito giro quando pedem para sermos filhos e eles os pais, e reflectem normalmente as nossas frases mais caricatas para os educar… este momento, também vos pode ajudar a ver onde há lacunas na educação ou até mesmo a verem se existe alguma situação de que a criança não fale mas que esteja a incomodar e a prejudicar de alguma forma.

Vamos deixar as crianças terem a sua liberdade de expressão. No fim, verá que além de ser cómico também será Giro envolver-se no seu imaginário.
Tânia Sereno
Mundo Giro
Kid Spotter @ On Spot Marketing

Birras – só de ouvir a palavra, ficamos logo com suores frios!
Com ou sem filhos, dificilmente se encontra um adulto que jamais tenha presenciado uma valentíssima birra.

Para quem tem filhos, o horror é ainda maior e, se for em público, a sensação é inexplicável… berros, objectos a voar, pontapés, etc. (depende da “criatividade” da criança e da vulnerabilidade que os pais demonstram).

Vamos, por isso, tentar desmistificar a birra e sugerir como lidar/ evitar desde muito cedo.

Primeiro, é importante esclarecer o que são as birras: manifestações de vontade própria associadas a uma contrariedade (frustração).
Esta saga começa mais ou menos aos 18 meses, passando pelo seu auge entre os 2/3 anos e pode prolongar-se até aos 5/6 anos.

Por mais estranho que pareça, existe também um lado positivo nas birras pois no fundo são manifestações de emoções, sentimentos e vontade. As crianças estão a desenvolver a sua personalidade – só não sabem como expressar e acreditam que através deste “teatro” vão obter/alcançar o que desejam.

O que fazer?

Manter a calma – se se irritar, repreender, levantar a voz ou ameaçar, etc., estará a ter um comportamento semelhante ao da criança e a mostrar-se vulnerável;

Ignorar – não lhe responda, não ande atrás da criança, faça de conta que não está lá e, se possível, afaste-se um pouco (não mais que 5 min). A sua casa é o local ideal para o fazer, mas se conseguir tente também no local público (nunca pondo em risco a criança – caso a criança faça a birra perto de escadas ou outro local qualquer que represente perigo, aí terá de a pegar ao colo). Isto não resulta de imediato, mas com o passar do tempo e algumas birras depois, a criança vê e apercebe-se que a birra não surte o efeito desejado.

Evitar a força física – a birra por si só já é uma violência enorme para a criança. Se lhe “bater”, só irá aumentar a angústia da criança e a birra ficará muito pior e mais descontrolada. A ideia passa por conseguir que a criança reencontre a estabilidade.

Castigos – Se optar por estas via, que não é desadequada, não ameace com castigos que não poderá cumprir… pode sempre ter já um local para o efeito, por exemplo: colocar a criança de castigo numa cadeira que já esteja destinada para as birras ou mau comportamento – as crianças não gostam de estar sentadas muito tempo e menos ainda por imposição de um castigo; logo, rapidamente se acalmará e dirá que está arrependida.

Se a criança for das mais persistentes e mesmo assim continuar com a birra, então pegue-a ao colo – não deve deixar que esta angústia seja por tempo indeterminado – e tente acalmá-la, dar-lhe carinho, mas nunca ceder ao pedido inicial.

O que não fazer?

Ceder à birra – “Não” é mesmo “Não”, independentemente de estar em público ou em privado.
Pai e Mãe têm de estar alinhados (caso estejam juntos durante a birra) – a criança não pode sentir fraqueza de nenhuma das partes nem discordância, pois vai usar isso a seu favor.

Vamos acabar com as birras persistentes, vai ver que até vai ser Giro!

Tânia Sereno
Mundo Giro
Kid Spotter @ On Spot Marketing

Quando se fala em histórias, quem não se lembra da frase: “Era uma vez”.

Essas histórias que nos faziam sonhar e estar sempre a pedir para as ouvirmos novamente, noites seguidas, vezes infindáveis que nunca chegaram sequer perto nos cansar.

Infelizmente, hoje em dia o facto de haver tanta falta de tempo fez com que a “hora da história” fique quase esquecida, sendo muitas vezes menosprezada no lufa-lufa das actividades quotidianas.
Nos dias que correm, poucas são as crianças que têm a sorte de ouvir histórias em casa com regularidade e ainda menos como um dos mais eficazes relaxantes antes do sono.

Os seus benefícios são imensos, já que através das histórias a criança desenvolve:

  • Linguagem (enriquece vocabulário);
  • Gosto pela leitura (ver os pais manusearem um livro desperta-lhes o interesse e curiosidade)
  • Pensamento;
  • Imaginação
  • Atenção e concentração;
  • Sensibilidade

Na minha opinião, as crianças familiarizadas com histórias revelam uma melhor preparação para o início da escolaridade obrigatória visto terem mais facilidade em aprender a ler, a escrever, a representar e inclusive a socializar.

Se tem dificuldade em se lembrar de histórias, use os livros como suporte.
Mesmo que não considere os que tem em casa sejam os mais adequados, use somente as imagens e crie a “vossa” história.
Se optar por comprar um livro mas não sabe qual o adequado ao vosso filho, há vários no mercado que são óptimos.

Sugestão: Pense num tema que queira alertar ou mensagem que queira transmitir ao seu filho, e escolha um que esteja relacionado esse tema.

Os mais frequentes estão relacionados com:

  • Quer que largue as fraldas
  • Birras
  • Não quer comer
  • Diferença entre o que está certo ou errado
  • Boas maneiras

Tenha sempre presente que quanto mais nova for a criança mais ilustrações e menos texto deve conter o livro.

Vamos recuperar as histórias e a hora do conto. Vai ser mesmo Giro!

Tânia Sereno
Mundo Giro
Kid Spotter @ On Spot Marketing

Por vezes, está em casa com os filhos e sente-se cansado(a) de fazer sempre as mesmas actividades/brincadeiras com eles?
Gostaria de fazer alguma actividade em conjunto onde todos participam, aprendem, brincam, reciclam e ainda podem ajudar o ambiente?

A sugestão que apresento é: Origami!

“Ori” vem do verbo “Oru”, que significa dobrar, e “Gami” vem da palavra “Kami”, que significa papel. Em suma, é a arte de dobrar o papel usando um pequeno número de dobras que podem ser combinadas de várias maneiras.

Quando se fala em origami, o que vem à mente é algo complicado de se fazer, associado sempre à cultura oriental. A parte da cultura oriental está correcta… quando à complexidade, depende das figuras que queira fazer.

Recomendo esta actividade para fazer com os filhos/crianças porque, além de ter uma componente que os acalma, também ajuda a desenvolver a capacidade criativa e psicomotora.

Em jeito de sugestões, deixo-vos os seguintes desafios:

– Tsuuro (garça) é um origami que associamos facilmente a esta actividade e que é muito fácil de fazer!

– Também pode optar por outros animais divertidos, como o sapo;

– Ou apostar num projecto mais tradicional, como o avião.

Muitos outros projectos para envolver toda a família estão disponíveis à distância de um clique.
Se pesquisar, não é difícil encontrar mais exemplos – o “quantos-queres” e o “catavento” são os mais conhecidos por todos nós.

Em vez de usar papel “novo”, aconselho a utilização de papel de rascunho que por algum motivo irá para o lixo; pode ser mesmo papel de jornal/revista. Se o fizer, estará a contribuir para um meio ambiente mais saudável e fará com que a criança recicle e valorize essa preocupação.

Em qualquer dos casos, deverá partir de um papel quadrado.

TsuroComo curiosidade, partilho ainda que, segundo a cultura japonesa, aquele que fizer mil origamis de uma garça – Tsuuro – terá o seu pedido realizado. Esta crença foi popularizada pela história de Sadako Sasaki.

Vamos experimentar os origamis? O resultado certamente será muito Giro!

Tânia Sereno
Mundo Giro
Kid Spotter @ On Spot Marketing

Após um dia de trabalho, chega a casa e tem de dar banho aos seus filhos, fazer o jantar, dar-lhes de jantar, brincar um pouco com eles e deitá-los.

Neste momento, repara que a sua casa parece ter sido atingida por um tornado… Tem brinquedos espalhados por todo o lado e, no seu íntimo, só se sente bem quando a casa está arrumada.

Eis que aparece a fada mágica que arruma tudo!

Aos que perguntam “Quem é a fada mágica???”, dou uma resposta bem simples: são os pais que recolhem os brinquedos e quando os filhos acordam de manhã pensam que foi uma fada que, com magia, arrumou tudo.

Acredito que queira implementar uma regra de arrumação com os seus filhos e que, por vezes, se sinta perdida, sem saber por onde começar…

Trata-se de um processo nada complexo, que requer “apenas” tempo e paciência da sua parte.
Quanto mais cedo iniciar o processo, mais rápido será apreendido.

Como o fazer, passo a passo:

1- Educar pelo exemplo. As crianças que são habituadas a ver essa rotina nos pais aderem com facilidade. Se desarrumo algo também terei de arrumar com brevidade, não deixando acumular para o dia seguinte.
2- Ter bem definido os locais dos brinquedos para as crianças saberem que, quando querem um carro ou uma boneca, terão de ir buscar a esse local.
3- Crie uma rotina diária, como o faz para o banho ou refeições. Quando a criança vê um ritual ou conjunto de acções que antecedem o banho ou refeição, imediatamente percebe o que se vai suceder. Para conseguir, defina um momento do dia para arrumar os brinquedos e tente tornar isso algo divertido.
4- Seja positivo. Evite zangar-se com a criança por estar a arrumar no sítio errado.
Exemplo: “Estás baralhado(a)? Então esse carro/boneca não era do baú azul?”

Quando se inicia este processo, durante uns tempos devem ser os pais a arrumar os brinquedos, sempre com a assistência dos filhos. Depois de estar interiorizado quais os brinquedos e onde se arrumam, essa tarefa passa a ser feita em conjunto (pais e filhos). Por fim o prémio de ser “crescido” é passar a arrumar os brinquedos sozinho(a).

O tempo de apreensão desta rotina varia consoante a idade da criança – as mais novas devem ter mais margem para interiorizar cada um dos passos.

Agora, vamos todos arrumar. Vai ser bem giro!

Tânia Sereno
Mundo Giro
Kid Spotter @ On Spot Marketing

Quem é que não se lembra de, na sua infância, ter dito ou cantado um trava-línguas ou uma lenga-lenga?
E de jogar a algo que tinha por base uma música que parecia não fazer sentido mas que rimava?
Esses jogos são intemporais, havendo sempre uma altura em que as crianças dizem ou jogam, mesmo que não saibam que o estão a fazer.

No entanto, existe alguma confusão sobre o que é uma lenga-lenga e um trava-linguas, e quais as suas diferenças.

Lenga-lenga corresponde a um conjunto de frases curtas que rimam, com muitas repetições que ajudam a decorar com facilidade. Estão, por norma, associadas a jogos e músicas.

Por exemplo:

A criada lá de cima
A criada lá de cima
é feita de papelão.
Quando vai fazer a cama,
diz assim para o patrão:
Sete e sete são catorze,
com mais sete são vinte e um;
tenho sete namorados
e não gosto de nenhum!

Pico pico saranico
Pico pico saranico
quem te deu tamanho bico?
Foi a filha da rainha
que está presa na cozinha.
Salta a pulga na balança
dá um pulo vão p’ra França.
As meninas a correr,
as meninas a aprender;
a mais bonita de todas
comigo se há-de esconder.

Um trava-línguas é composto por um conjunto de palavras que formam uma frase de difícil articulação, por haver concentração de sílabas difíceis de pronunciar e sons que se repetem, mas por ordem diferente.

Para complicar ainda mais, devem ser ditos de forma rápida e clara. O nome diz tudo: a dificuldade aqui é conseguir dizer do início ao fim sem que a língua trave. São considerados jogos verbais, que ajudam a aperfeiçoar a pronúncia e fomentam a disputa saudável entre amigos.

Por exemplo:

Esta burra torta trota
Esta burra torta trota;
trota, trota, a burra torta.
Trinca a murta, a murta brota;
brota a murta ao pé da porta.

Percebeste?
Se percebeste, percebeste.
Se não percebeste,
faz que percebeste
para que eu perceba
que tu percebeste.
Percebeste?

Para quem quiser testar as suas habilidades ou recordar outros exemplos, recomendo a autora Luísa Ducla Soares.
Experimentem em grupo, que será ainda mais Giro!

Tânia Sereno
Mundo Giro
Kid Spotter @On Spot Marketing

 

Imagine um Mundo Giro onde acontece uma feira de brinquedos entre miúdos, onde eles aprendem noções de valor?

É um projeto social, sem fins lucrativos, lúdico e sobretudo educativo.